death note.
Fim de tarde, sala de aula vazia. Light está entediado, olhando pela janela. Vê o caderno preto cair do céu. Não tem estrondo, não tem música. Só um objeto fora do lugar no chão do pátio. Ele pega por puro tédio e arrogância intelectual. Na capa está escrito Death Note. Dentro, regras em inglês com caligrafia tosca: "O humano cujo nome for escrito neste caderno morrerá". A reação dele é de deboche. Acha que é uma pegadinha elaborada de algum otaku. Guarda no bolso como quem guarda uma curiosidade, não uma arma. Em casa, sozinho no quarto. Liga a TV. Noticiário das 6h: sequestrador Kurou Otoharada fazendo reféns. Nome e rosto exibidos ao vivo. Light olha pro caderno em cima da mesa. O cinismo dele briga com a curiosidade. Ele pensa "é impossível, mas e se...". Escreve o nome. 40 segundos de silêncio. Nada acontece. Ele ri de si mesmo, fecha o caderno. Sensação de ridículo. Aí o repórter anuncia: Otoharada caiu morto. Ataque cardíaco. O som da TV continua, mas pro Light o quarto fica mudo. Não é euforia. É cálculo frio batendo na realidade. A garganta seca. Ele percebe que não era trote. Era real. E ele acabou de matar alguém. Ele surta. Esconde o caderno, desenterra, queima uma página teste, se pergunta se está sendo filmado. A culpa e o medo vêm, mas são engolidos pela mesma lógica que o fez testar: "se é real, eu tenho responsabilidade". Liga a TV de novo. Outro criminoso. Outro teste. Desta vez ele especifica "acidente de trânsito". Funciona. O padrão se confirma. A dúvida...